terça-feira, 31 de agosto de 2010

Naga



A Naga é uma entidade omnipresente nas mitologias hindu e budista, fazendo parte, ainda hoje, das tradições culturais contemporâneas  em países como a Índia, Nepal, Bali ou Sri-Lanka. Trata-se de uma serpente semi-divina, com forma humana. Intimamente associada à água e aos rios, é um símbolo poderoso da vida, mas também está relacionada com a morte devido ao seu veneno.

Segundo a lenda, elas surgiram a partir de cabelos e pêlos do corpo de Brahma durante o seu trabalho de criação do mundo. Possuem um corpo meio humano e meio serpente e são consideradas as protetoras de fontes, poços e rios, trazendo a chuva. 

São adoradas como símbolos de fertilidade, especialmente na Índia meridional. Algumas das nagas mais conhecidas são: Ananta (símbolo da eternidade) e Manasa (deusa de fertilidade). O mito das nagas também aparece noutras regiões da Ásia: para os marinheiros malaios, elas são enormes dragões marinhos. Em Java e na Tailândia, a Naga é uma serpente mítica infernal que possui imensas riquezas.

Segundo uma lenda budista, uma Naga compassiva, ao ver Buda sendo castigado pelo vento e pela chuva enquanto meditava, enroscou-se sete vezes à sua volta e colocou sobre ele as suas sete cabeças, como um telhado. Buda converteu-a depois à sua fé.

Outra lenda, recolhida na Índia, em princípios do século V, conta:

"O rei Asoka chegou a um lago, perto do qual havia uma torre. Pensou destruí-la para edificar outra mais alta. Um brâmane fê-lo penetrar na torre e, uma vez lá dentro, disse-lhe:
- A minha forma humana é ilusória; sou realmente um Naga, um dragão. Os meus pecados fazem com que eu tenha este corpo espantoso, mas observo a lei que Buda estabeleceu e espero redimir-me. Podes destruir este santuário, se acreditas ser capaz de erguer outro melhor.
Mostrou-lhe os vasos do culto. O rei olhou-os com inquietação, porque eram muito diferentes dos que os homens fabricam, e desisitiu do seu propósito."

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

O Neófito

VIBRAÇÃO: mente universal
PALAVRAS-CHAVE: crescimento, estudo, entendimento
PONTO ALTO: A receptividade mostra que toda a experiência colabora com a evolução da alma
PONTO BAIXO: Vença a ignorância. A vida é feita de padrões que você mesmo criou

O Neófito é um praticante de magia que ainda está em aprendizagem, estudando os costumes da antiga religião sob a orientação de um adepto da bruxaria. O Neófito simboliza o primeiro nível da aprendizagem. No segundo nível da iniciação, o praticante pode receber permissão para assumir as responsabilidades de Sacerdote ou de uma Sacerdotisa. No entanto, a verdadeira iniciação só acontece com as bençãos do espírito, que pode conceder poder ao praticante ou tirar esse poder a qualquer momento da vida dele. Não é a vontade humana que tem o poder, é o espírito humano que é chamado a despertar para o plano superior.

O Neófito indica que é tempo de procurarmos uma compreensão mais profunda da vida e deste mundo. O que ainda não está claro ficá-lo-á, à medida que os ensinamentos progridem. Atentemos nas sincronicidades, sigamos os nossos instintos ou conversemos com uma pessoa sábia pois este é um momento muito importante para o nosso crescimento espiritual. Seja o que for que esteja acontecendo na nossa vida, más circunstâncias ou não, é o que necessitamos para nos sintonizarmos com o nosso Eu superior - este plano da existência é uma escola da verdade.

Se cometemos sempre os mesmos erros, este é um momento de buscar o conselho de outros ou de mergulhar no nosso mundo interior e seguir os conselhos do sábio que existe dentro de nós. Só nós próprios conhecemos de verdade os nossos padrões, anseios e medos mais profundos daí ser fundamental aproveitarmos qualquer oportunidade para crescer espiritualmente, antes que a roda do Karma gire outra vez.

EXERCÍCIO DE MAGIA - A Roda do Karma

Desenhe um círculo e divida-o em oito partes. Em cada parte anote as questões que são uma constante na sua vida, tais como, depressões, frustrações, raiva, dúvidas, perdas, etc. Desenhe outro círculo dividido em oito partes e anote o oposto de tudo o que escreveu no outro círculo, como alegrias, compaixão, confiança, abundância, paciência, etc. Medite a respeito da lacuna que existe entre essas palavras (por exemplo, entre depressão e alegria) e faça uma afirmação que represente um equilíbrio entre esses dois estados. No caso da depressão e da alegria, o espaço intermediário poderia conter afirmações como: "Eu incorporo a paz interior e o contentamento".

Agora pode mudar os seus padrões kármicos. Acredite que isso seja possível, e assim será!

Lenda da Lagoa das Sete Cidades

Há muitos, muitos anos, vivia no Reino das Sete Cidades uma pequena princesa chamada Antília. A menina era a filha única de um velho rei viúvo que era conhecido pelo seu mau feitio. Senhor das Alquimias e do Saber, o rei vivia em exclusivo para a sua filhinha, não gostando que a princesa falasse com ninguém. A menina ora estava com o pai, ora estava com a velha ama que a criara desde o nascimento, altura em que a rainha sua mãe falecera.

Os anos foram passando, Antília foi crescendo e um dia já não era mais aquela menina de tranças loiras caídas sobre os ombros, enfeitadas com flores silvestres; tinha-se transformado numa linda jovem, uma princesa capaz de encantar qualquer rapaz do seu reino. Contudo, se todos ouviam falar da beleza da jovem princesa, eram poucos ou nenhuns os que a conheciam, pois o rei não gostava que ela saísse do castelo nem dos jardins que o circundavam.

Mas Antília não se deixava intimidar pelo pai, e com a ajuda da velha ama costumava esquivar-se todas as tardes, enquanto o rei dormia a sesta depois do almoço. Saía pelas traseiras, sem que ninguém a visse, e ia passear pelos montes e vales próximos. Num desses passeios, andando pela floresta, um dia a princesa escutou uma música. A música era tão linda, encantou-a de tal forma, que ela se deixou guiar pelo som e foi descobrir um jovem pastor a tocar flauta, sentado no cimo de um monte. Era ele o autor de tanta maravilha!

A princesa, encantada, deixou-se ficar escondida a ouvir o jovem a tocar flauta. E ouviu-o escondida durante semanas, até que o pastor, um dia, a descobriu por detrás de uns arbustos. Ao vê-la foi amor à primeira vista, e era recíproco, pois ela também estava apaixonada por ele. Os jovens continuaram a encontrar-se. Passavam as tardes a conversar e a rir, o pastor a tocar para a princesa e ela a escutá-lo enlevada, e ambos se sentiam muito felizes juntos.

Um belo dia, o pastor decidiu pedir a princesa em casamento. Logo pela manhãzinha, o jovem bateu à porta do castelo, e pediu ao criado para falar com o rei. Pouco depois, o criado voltou e levou-o à presença do soberano. Muito nervoso mas determinado, o pastor fez-lhe uma vénia e, olhando-o nos olhos, disse: - Majestade, gosto muito de Antília, sua filha, e gostaria de pedir a sua mão em casamento. - A mão de minha filha, NUNCA... OUVISTE... NUNCA!- disse o rei aos berros.- Criado, põe este pastor atrevido na rua. O jovem bem tentou argumentar, mas ele não o deixava falar, e expulsou-o do castelo.

Em seguida o rei mandou chamar Antília e proibiu-a de ver o pastor. Antília mais não fez do que acatar as ordens do rei seu pai. E nessa mesma tarde foi ter com o seu amor e disse-lhe que nunca mais se podiam encontrar. Os dois jovens choraram toda a tarde abraçados. As suas lágrimas, de tantas serem, formaram duas lindas e grandes lagoas, uma verde da cor dos olhos da princesa, a outra azul da cor dos olhos do pastor. E ainda hoje estas duas lagoas continuam no Vale das Sete Cidades, na Ilha de São Miguel, lá nos Açores, para avivar a memória de todos quantos por ali passam, e recordar o drama dos dois apaixonados.