quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

O Feitiço

VIBRAÇÃO: astral
PALAVRAS-CHAVE: encantamento, ilusão, fantasia
PONTO ALTO: um desejo será atendido
PONTO BAIXO: ilusões e fantasias serão desfeitas

Os feitiços e encantamentos são proferidos, escritos, dançados ou criados em rituais secretos. O potencial mágico de qualquer feitiço requer energia, necessidade e concentração mental. Ervas, cristais, condimentos e símbolos sagrados são em geral usados, assim como as energias de determinadas divindades, associadas ao conteúdo do Feitiço em questão.

O Feitiço indica que há magia no ar  mas também aconselha-nos a prestar atenção ao modo como nos enganamos a nós próprios. Podemos descobrir que acordámos de um sonho ou ilusão. Se seguirmos o caminho da sabedoria e vermos a vida como ela é na realidade, encontramos sempre a verdade.

EXERCÍCIO DE MAGIA: Pó do Amor

Faça um pó mágico numa lua nova que anteceda o dia 30 de Abril. Acenda duas velas cor-de-rosa dedicadas a Afrodite. Numa tigela de cerâmica, triture bem os seguintes ingredientes:

 2 cravos-da-índia
1 colher de sopa de flores de alfazema
1 colher de sopa de mirtilo
1 colher de sopa de milefólio

Acrescente duas gotas de óleo essencial de rosas e misture tudo. Cubra a tigela e deixe repousar três dias. No festival de Beltane ou de Samhain, peça um namorado enquanto deita o pó do amor na fogueira.

MORNINGSTAR, Sally, O Livro Wicca

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

As 13 Luas Cheias do Ano - A Lua do Lobo

As festividades lunares eram denominadas de Esbats, vindo do francês "s'esbatre", que significa gozar, ter prazer, festejar. Não obstante a faceta lúbrica destas festividades, importa denotar que as luas cheias eram denominadas de acordo com cada mês e as suas características. Seria com plena consciência do meio ambiente circundante e da rotação dos astros e estrelas no céu, bem como das mudanças que a Natureza impõe sobre a Terra, que estes rituais eram celebrados. A Lua é a hipóstase da Grande Deusa, a Mãe que nutre e fortalece os campos e nos acompanha ao longo do ano.

Janeiro - A Lua do Lobo

Com a neve profunda do Inverno, as matilhas uivavam famintas perto das aldeias, razão pela qual  Lua Cheia de Janeiro ficou conhecida por este nome. Era conhecida também por Lua Depois de Yule. Enquanto decorrem ainda as Saturnálias, não podemos deixar de associar estes lobos à horda furiosa que acompanha o Senhor de Negro nas suas caçadas Selvagens.

in Mandrágora - O Almanaque Pagão, 2009,  Zéfiro


quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Hildebrando



A fama de valente acompanhou toda a vida heróica de Hildebrando. Emocionando por voltar à sua terra, o velho cavaleiro cavalgava solitário. Sentia o vento frio da primavera a bater no seu rosto austero, curtido pelo sol e pelas marcas adquiridas nas batalhas que lhe fizeram a fama. Próximo do seu reino, Hildebrando viu, ao longe, a figura de um jovem guerreiro, com um porte da mais alta estirpe. O jovem preparava a armadura e a lança, pronto para conduzir o seu exército. Diante daquela cena que se armava em campo de batalha, Hildebrando correu a lembrança por todos os momentos da sua vida.


Quando novo, dedicara-se à educação de Teodorico, fazendo dele um dos maiores reis dos ostrogodos. Casara-se com a mulher mais bela do seu povo. Do ventre da amada, nascera um filho. Hildebrando, já cavaleiro de Teodorico, tendo a vida marcada por longas batalhas em favor do seu rei, só queria viver a paz de amar a mulher e contemplar o crescimento do filho. Mas o destino soprou-o na direcção contrária à paz. Um dia surgiu o sanguinário Odoacro, que ao pôr fim ao Império Romano do Ocidente, tornara-se o primeiro rei bárbaro em Roma. Para escapar da fúria de Odoacro, Teodorico fugiu, seguido dos seus cavaleiros.

Sempre fiel, Hildebrando acompanhou o seu rei, deixando às costas, a mulher e o filho. Por trinta anos o cavaleiro sofreu com a ausência da família. Seus olhos firmes marejavam ao se lembrar que não acompanhara o crescimento do filho. Sonhava com o dia em que voltaria a abraçá-lo, tê-lo contra o peito, finalmente.

Ao lado de Teodorico, Hildebrando invadiu a península Itálica e, bravamente, derrotaram Odoacro em Verona. O cavaleiro já poderia voltar para a família.

Sob o seu cavalo, Hildebrando viu, tão perto, a sua terra amada. Inesperadamente um exército, comandado por um jovem intrépido,  pôs-se-lhe no caminho. Seria a última batalha que travaria em vida. Após o seu término, voltaria para os braços da mulher e o amor do filho. Decidira depor a lança e a espada. Na sede de encontrar a paz, Hildebrando lançou-se com fúria contra o jovem que liderava o exército que  lhe obstruía a passagem.

Minutos depois, Hildebrando estava frente a frente com o jovem guerreiro. Estava pronto para desferir a sua lança, quando uma emoção estranha possuiu-lhe o coração. Mansamente aproximou-se do jovem, perguntando-lhe:

-Quem sois vós, bravo e audacioso guerreiro? De que estirpe herdastes tão fervorosa coragem, tão garbo semblante?

-Sou Hadubrand, filho de Hildebrando, o mais valente cavaleiro de todos os tempos, fiel servidor do rei Teodorico de Verona. Dele herdei a coragem que me faz defender o meu povo dos bárbaros e forasteiros como vós. Armai a vossa espada e a vossa lança, que em nome do meu saudoso pai, derramarei o vosso sangue de invasor! Pela honra do sangue que se me escorre nas veias, derramarei o vosso sobre a relva espargida pela primavera.

Hildebrando sentiu o coração saltar-lhe, sendo tomado pela mais forte das emoções. Ali, no último campo de batalha que decidira travar na vida, estava o próprio filho, que deixara de ser a sombra da lembrança, adquirindo o corpo do mais valente de todos os jovens guerreiros. Com a voz embargada, Hildebrando conseguiu dizer as palavras que guardara por todos os anos de exílio:

-Não sofras mais pela saudade, Hadubrand, pois sou eu, Hildebrando, o pai ausente, que tanto te fustiga a saudade. Assim como eu, tu és o mais valente dos bravos. Não me ergas a espada e a lança, mas os braços, pois de ti quero um longo e infinito abraço.

Ao ouvir as palavras do forasteiro, Hadubrand sentiu a cólera invadir o seu coração. Leu em cada palavra proferida, uma blasfémia à memória do pai.

-Como ousai a passar pelo mais honrado dos homens? Não vos permitirei que me vença com tão grotesco ardil. Fazei uma última prece, porque a minha lança já está pronta para trespassar o vosso coração enganador!

Furioso e incontrolável, o jovem lançou em disparada rumo a Hildebrando. De lança em punho, verteria o sangue do forasteiro, dedicando a vitória à memória do pai distante. Hildebrando viu a fúria do jovem na sua direcção. Palavra alguma demoveria o valente do seu propósito. O que fazer naquele momento, morrer nas mãos do filho? Defender-se diante da sua prole, como quem se defende de um feroz inimigo? Hildebrando sentiu o vento da lança do filho a aproximar-se do seu corpo, em um gesto instintivo, sem que se lhe apercebesse dele, ergueu a sua lança. No ar ecoou um grande grito de dor. Um corpo tombou no chão. O sangue lavou a terra das sementes da primavera. A morte já pairava no horizonte.

O cavaleiro sobrevivente desceu do seu cavalo. Era Hildebrando. Ajoelhou-se diante do corpo do filho, que emitia um último suspiro. Antes que a morte cortasse o cordão da vida, Hadubrand sorriu, reconhecera, no último instante, os olhos lacrimejantes do pai. Hildebrando abraçou-se ao corpo inerte do jovem. Matara tantos inimigos, e, tragicamente, encerrava a sua epopeia a verter o sangue do próprio filho, como se o céu lhe cobrasse todos os seus mortos.