quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

O vento

"The Wind" foi um filme realizado por Victor Sjostrom, em 1928, e protagonizado por Lillian Gish.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Love kills

sábado, 15 de dezembro de 2012

O compadre da morte

   

     Um lavrador pobre tinha tantos filhos que não sabia a quem convidar para padrinho dos recém-nascidos. Quase todos na aldeia eram compadres dele. Nascendo-lhe mais um filho, ficou atrapalhado para saber quem levasse a criança ao baptismo. Estava a pensar no caso quando passou por ele um homem muito alto, magro, vestido de branco, que parou e o cumprimentou amavelmente. O lavrador perguntou se ele aceitava ser o padrinho do seu filho mais novo. — Sabes quem sou eu? — Não senhor! Mas parece-me ser homem honrado e bom! — Sou a Morte e aceito ser o teu compadre. Acompanhou o lavrador à igreja, ficando seu compadre. 

   Quando voltaram a casa, a Morte disse: — Escuta. Não tenho dinheiro nem fazenda para o meu afilhado, mas posso fazer o meu compadre tornar-se um homem rico. — Como será isso, meu compadre? — Presta atenção! Diz a todos que sé medico e vai atender os doentes. Quando lá chegares me verás. Se eu estiver no lado da cabeça do enfermo, dá-lhe o que quiseres e ele curar-se-á, mas se eu estiver aos pés da cama, o homem está perdido. — Pois é caso entendido, meu compadre. 

   Começou o lavrador, que era desempenado e afoito, a dizer-se curandeiro e a visitar doentes por toda a vizinhança. Quando via a Morte perto da cabeceira do doente, punha-o sadio em poucos dias. Quando via a Morte aos pés do enfermo, receitava umas águas simples, cobrava o dinheiro e ia-se embora, desenganando a todos. Ganhou fama e proveitos crescidos, ficando rico e conhecido em toda a parte. 

   Já muito velho, o curandeiro foi chamado por um homem muito poderoso e rico. Apesar de relutar, dizendo-se cansado e não mais podendo aceitar consultas, foi obrigado a pôr-se numa carruagem e ir. Lá chegando, logo que olhou para o quarto do ricaço, avistou o compadre Morte, bem sentado aos pés da cama. A família do enfermo prometia os castelos de Espanha se o chefe recobrasse a saúde. O curandeiro imaginou um plano de burlar o pacto com a Morte e ganhar mais aquela fortuna. Mandou voltar o leito, de maneira a ficar os pés onde estava a cabeça e esta onde estavam os pés. A Morte, assim que voltearam a cama, foi-se embora, sem dizer uma só palavra. O curandeiro recebeu uma gorda quantia e voltou para casa satisfeito. 

   Anos depois, a Morte veio visitá-lo e disse-lhe: — Meu compadre, de hoje a um ano virei buscá-lo porque deve ter chegado o dia de sua viagem… O Curandeiro ficou espavorido com o anúncio. Para enganar a Morte mais uma vez, quando se aproximou o dia fatal, pintou os cabelos de preto, pôs umas barbas retintas, convidou uns amigos e começou a beber e a rir, como se fosse outra pessoa. Chegou a Morte e, não o vendo, perguntou pelo seu compadre. Todos os convidados responderam que o dono da casa não estava e nem sabiam quando ele voltaria. — Ora, ora — monologou a Morte, desapontada — como não posso perder meu tempo nem a minha viagem, vou levar esse barbadão bebedor… E levou com ela o seu compadre.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

A mulher teimosa


Havia em tempos uma mulher tão teimosa, que por birra, meteu-se a uma ribeira, que levava muita água, e não dava passagem. Caiu na ribeira, e morreu afogada. No dia seguinte andou o marido em procura do cadáver da mulher; em vez, porém, de seguir o leito da ribeira, acompanhando o curso da água, ele procurou o cadáver pela ribeira acima. — Procura mal o cadáver, — disse um compadre — pois é natural encontrá-lo lá em baixo. — Não, compadre, a minha mulher era muito teimosa e mesmo depois de morta é capaz de caminhar contra a maré. 

Conto Tradicional Português
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